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25/10/2017

Irmãos na luta e na labuta

Eles são irmãos em tudo. Passaram no mesmo concurso para o serviço público, trabalham como policiais militares em Maringá e região e utilizam nome igual na corporação: soldado Arouca. Fora da atividade policial, mas como complemento para ela, ambos praticam o jiu-jitsu. E são campeões.

Daniel e Daniela Arouca são policiais há 10 anos. Ela já passou por outras cidades, antes de retornar à terra dos familiares e ser destacada para o pelotão de escola e guarda; ele, desde o início ficou pela região e hoje está na 4.ª Companhia do 4.º Batalhão. Daniel sempre foi apaixonado pela carreira militar e deixou o Exército, onde entrara de forma voluntária, para ingressar na PM; Daniela foi convidada por ele para o concurso. Ambos incentivados pelo pai.

O jiu-jitsu atraiu o rapaz mais cedo, começando a praticá-lo em 2000. Parou em 2003, retomando somente há cerca de quatro anos. No pescoço, ostenta dezenas de medalhas, entre elas as de campeão internacional open e master. “Busco na atividade física o melhor para minha saúde”, afirma. E também um encontro familiar. A mulher, Natália, pratica kickboxing e muay thai; o filho, Gabriel, já conquistou vice-campeonatos brasileiros de jiu-jitsu; e a filha, Júlia, aprende jiu-jitsu e muay thai.

Para o policial, as horas dedicadas ao esporte são também uma “válvula de escape” para o estresse da profissão. “Eu me desligo da atividade profissional, encontrei um remédio”, diz. No entanto, sabe que aquilo que aprende e pratica sobre o tatame é levado às ruas. “Sem dúvida ajuda, pois é profissão de risco e não raramente é necessário o emprego da força, se souber técnica de imobilização é muito melhor”, acentua.

CAMPEÃ - Daniela sempre foi convidada para praticar o jiu-jitsu, mas relutava. Até que em 2013, após o retorno a Maringá, percebeu que a arte marcial formaria um par perfeito com a carreira policial, pela qual apaixonou-se já no primeiro mês de aula. “É uma luta de chão, de imobilização, e mais efetiva para o serviço”, diz.

A ideia era apenas treinar, mas logo de cara os resultados concederam-lhe o direito de participar de um campeonato em Abu Dhabi. Não conseguiu ir pela falta de patrocínio. No entanto, despertou na policial o desejo de dedicar-se ao esporte também como competição. “Não é fácil, tem de abrir mão de algumas coisas de que se gosta, mas não vejo como sacrifício, porque é o que quero”, afirma.

Os exercícios têm valido a pena. Daniela esteve no início do ano em Portugal, de onde voltou com o título de vice-campeã europeia em sua categoria e com a medalha de bronze no absoluto. Em março, disputou o Panamericano, em Los Angeles; e, em agosto, o Mundial, em Las Vegas. Nesse meio tempo, conquistou seu tricampeonato brasileiro com quimono e o primeiro título nacional sem quimono.

Os títulos começaram a se avolumar a partir de 2014, colecionando 13 medalhas de campeã e vice-campeã. No ano seguinte, foram 17, entre elas a de campeã brasileira categoria médio e absoluto pela Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu. Foi quando conseguiu galgar o primeiro lugar no ranking mundial.

INCENTIVO - No ano passado, entre as 17 vezes que esteve no pódio, destaque para os títulos do Campeonato Europeu, realizado em Lisboa, e, particularmente, para as conquistas em meio pesado e absoluto do Campeonato Mundial Master na faixa azul, realizado em Las Vegas, com o selo da Federação Internacional de Jiu-Jitsu.

Para manter o alto nível, ela recebe incentivo dos superiores e não recusa nenhuma escala quando está com tempo disponível. É uma reserva para poder se ausentar quando as competições exigirem. “Eles tentam me ajudar e eu faço o que for preciso, mesmo que esteja em folga”, afirma. As férias, ela programa para quando há competições internacionais. “Há uma colaboração de todos, e com isso comecei a render melhor”, ressalta.

Daniela já começou a encarar os desafios como uma missão especial. “Deus tem um propósito com isso, pois tenho sentido que muitas pessoas espelham-se e veem que é possível, é prova de que a gente pode tudo o que quiser”, ensina. “No jiu-jitsu, você é seu maior adversário, tem de procurar sempre ser melhor do que se é hoje, e a gente sempre pode ser melhor”, complementa.

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