Servidor

02/08/2017

Envolta na música clássica

A jornalista Judite da Luz dos Santos não sabe quando começou, não tem a mínima ideia de onde aconteceu e também desconhece o porquê, mas, de repente, a música clássica tinha envolvido sua vida. Alguns anos foram consumidos para chegar ao nível técnico que tem hoje, mas nas apresentações do Coro da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em que é 1.º soprano, o esforço é recompensado.

Ela lembra que desde cedo ouvia a mãe e o irmão entoarem músicas religiosas. O irmão também largava a voz no sertanejo, um som frequente durante sua infância. Mas Judite, mesmo gostando de acompanhar a cantoria, sentia necessidade de adquirir mais conhecimento e domínio de todo o processo de cantar. “Não conseguia aprender com minha mãe”, diz.

Bem mais tarde, quando sua filha estava com nove anos e também era muito ligada em música, passou a levar a sério essa vocação. Na época, há 22 anos, já estava no serviço atual como assessora de Comunicação do Teatro Guaíra. Ali, o caminho era curto e ela foi buscar conselhos com um músico da Orquestra Sinfônica do Paraná. A indicação recaiu na academia de música da Igreja Batista, em Curitiba.

AULAS – A criança foi para a aula de piano. “Eu também queria, mas me achava velha para aprender esse instrumento”, afirma. Matriculou-se para as aulas de violão. Não demorou muito tempo e o professor passou a incentivá-la a também cantar, tendo o violão como acompanhamento. Ela relutou. “Achava que não conseguiria fazer as duas coisas juntas”, pondera.

O professor encaminhou-a, então, para as aulas de canto, onde passou a ter contato com as técnicas de bem utilizar a voz. Nesse instante, Judite não teve mais dúvidas de que nasceu, entre outras coisas, para cantar. “Gostei muito e meu professor de violão perdeu uma aluna”, diz. Na academia de música ela fez parte de dois corais, o misto e o feminino.

Depois partiu para outra experiência, o Coro da UFPR, no qual está há 14 anos. Elogios para o maestro Álvaro Nadolny. “Ele tem uma maneira diferente de trabalhar, é exigente, mas faz um trabalho individual, explorando toda a ressonância do corpo”, explica Judite. As apresentações normalmente são feitas no palco da própria reitoria da Universidade, mas também abrilhantam o Festival de Inverno realizado em Antonina, entre outros.

CLAVE DE LUA – Judite também fez parte do extinto Vocal Clave de Lua, que animava festas e casamentos, particularmente com repertório da MPB. No entanto, é um clássico que vem à lembrança ao ser perguntada sobre música marcante: Cantique de Jean Racine, do francês Gabriel Fauré.

O que é cantar para você? “É como se estivesse em outro universo, um transportar a vivência para a música. Mas isso nem sempre é fácil”, afirma. “Não pode deixar que os problemas interfiram na musicalidade. Tem que transmitir a mensagem como ela precisa ser transmitida.”

Se se achava velha para aprender piano há mais de 20 anos, agora não se acha mais. Judite começou os estudos, deu uma parada, mas já se colocou novamente na estrada para voltar a dedilhar as teclas. “Até mesmo para ajudar nos treinamentos de canto em casa”, diz.

Ela está há 36 anos no serviço público. Formada em Jornalismo pela PUC-PR, primeiramente trabalhou na então Secretaria de Justiça, Trabalho e Ação Social, depois passou para a TV Educativa e, atualmente, faz a assessoria de Comunicação do Centro Cultural Teatro Guaíra.
Recomendar esta notícia via e-mail:

Campos com (*) são obrigatórios.