Servidor

04/07/2017

Histórias que dão Vida

Se nas andanças da vida topar com a médica veterinária da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) Mariza Koloda, a sugestão é parar para conversar. Serão minutos, talvez horas, agradáveis. Ali está uma contadora de histórias. Ela encanta. E o encanto presenteia, sobretudo, os pacientes do Instituto de Neurologia de Curitiba, onde marca presença todas as sextas-feiras à noite.

“Eu gosto de contar histórias”, diz, assim, de forma direta. Dom que se tornou entrega voluntária quando ela conheceu o Instituto História Viva, de Curitiba, em 2012. Alguns meses de preparação e lá estava Mariza transformando em um tempo mais agradável a passagem de pacientes pelo hospital.

O grupo que conta histórias no Instituto de Neurologia, composto atualmente por sete pessoas, adotou o nome de Floresta Encantada. Mais integrantes são sempre aceitos. Com uma advertência: “Contar histórias é um vício. Quem começa não larga mais”, afirma a servidora.

Depois de uma semana de trabalhos e diversas outras atividades, é natural que se chegue cansado ao hospital. “Mas quando a gente entra parece que o cansaço vai embora”, afirma Mariza. “Vamos para levar alegria, distrair da dor.” E muitas vezes encontram pacientes que estão internados há mais tempo e já ouviram muitas histórias, mas que aguardam ansiosos por aquela visita. Olhos brilham, quartos se iluminam.

EMOÇÃO - As histórias emocionam e envolvem os doentes, mas os ouvidos que escutam, as mentes que fantasiam e as pessoas que se alegram também transformam o contador. “Há uma troca. A gente carrega algo dessas pessoas, querendo ou não”, diz. “Já saí chorando várias vezes.”

Certa vez, Mariza entrou em um quarto onde repousava uma jovem com o rosto marcado por um grande tumor. A História do Amor que passou a contar ainda não havia terminado quando enfermeiros chegaram para levar a paciente para a cirurgia. A pedido da doente, todos aguardaram o final da história.

Aproximadamente dois meses depois, a servidora entrou em outro quarto e percebeu no leito uma jovem loira, muito bonita. Quando a paciente levantou os olhos, começou a chorar. Era a mesma que havia encontrado na História do Amor a paz e a calma para enfrentar a cirurgia e recuperar-se.

MÚSICA - O segredo é acreditar sempre nas pessoas. Mariza lembra que, em uma noite, o acompanhante de um paciente pediu-lhe que contasse a história para ele mesmo, porque o doente, com AVC, não escutava mais nada. Ela cumpriu sua missão de contadora de histórias. No final, o paciente, que aparentemente nada entenderia, atirou-lhe um beijo. “A gente nunca desiste”, reforça.

O tempo passado no hospital é encarado a todo momento como diversão, não trabalho. Mas resulta em ensinamento de vida. “É fácil doar 10 reais para campanhas, mas, na correria do dia a dia, fica difícil doar uma hora de tempo. Assim, quando isso acontece, não tem como não sair diferente”, afirma Mariza.

E por falar em diversão, ela quer se divertir muito mais, desenvolvendo outra de suas paixões: a música. Está aprendendo a tocar violino e flauta, sonhando em ter os instrumentos como acompanhantes nas visitas hospitalares. “Ainda sou estudante, mas um dia vou tocar o suficiente”, diz. Mesmo como estudante, faz parte do grupo Violinos em Ação na igreja que frequenta, que já tem um CD gravado.

CARREIRA - A vocação para a medicina veterinária é antiga, mas, antes de se mudar para Pelotas (RS), onde fez a faculdade, ela graduou-se em Comércio Exterior, em Curitiba. A entrada no serviço público aconteceu em 1998, por meio de concurso da Secretaria da Agricultura e Abastecimento, antes mesmo da colação de grau. Depois de passar um tempo em Francisco Beltrão, transferiu-se para Curitiba, onde hoje coordena a Gestão de Qualidade na Gerência de Saúde Animal, da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná.

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