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08/03/2017

Uma cidade em texto e imagem

Itambé é um pequeno município no norte do Paraná, com cerca de 6 mil habitantes. Mas tem se tornado grande com o trabalho de divulgação realizado pela professora da Rede Estadual de Ensino Denízia Moresqui. Nos horários de folga, ela se agarra aos equipamentos de filmagem. Seus documentários já chegaram a vários olhos e ouvidos, sobretudo de crianças.

O cinema não era pensamento de Denízia quando chegou à idade de decidir o que fazer da vida. Queria jornalismo, mas a faculdade mais próxima ficava em Londrina, distante cerca de 120 quilômetros. A opção foi percorrer os 40 quilômetros até Maringá e cursar Letras. Iniciou como professora municipal de Língua Portuguesa em Itambé e, desde 2003, é concursada do Estado, além de atuar na Divisão de Cultura da prefeitura.

Pela mesma época, participou de um encontro de professores, em Faxinal do Céu, onde teve contato com escritores. Como já tinha facilidade com a escrita, resolveu ser um deles. Não para satisfação pessoal, mas para ajudar na didática. “Percebi a importância daquele contato e como era difícil para os estudantes terem essa mesma experiência. Por isso, resolvi escrever um conto sobre minha infância”, afirma. Nasceu A galinha ou eu.

CINEMA - Despretensiosamente, o conto deslocou-se ao Espírito Santo para participar do projeto Revelando os Brasis, do Instituto Marlim +Azul, patrocinado pela Petrobras. Ficou entre os 40 melhores e, como prêmio, a autora ganhou um curso de cinema de duas semanas, no Rio de Janeiro. Foi amor à primeira vista. Tão importante quanto isso, seu conto virou um curta-metragem de 15 minutos (assista).

A estreia foi em julho de 2011, em praça pública, no Centro de Itambé. Depois, frequentou a tela do Canal Futura, percorreu dezenas de festivais País afora e foi escolhido como propaganda do projeto Raio X Petrobras. No final do ano passado, o Rio de Janeiro solicitou autorização para o documentário ser apresentado para os estudantes do 6.° ao 9.° ano. “Isso enriquece o Paraná. É bom para o Estado”, vibra.

O cinema impregnou-se na professora e ela conseguiu concretizar um sonho antigo: contar na tela a história de Itambé. Investiu na compra de equipamentos e saiu à cata de fotos e documentos. Em 2014, de suas mãos brotou o roteiro e de sua visão formaram-se as imagens. As três partes do documentário O tempo não leva tudo... – História do Paraná, Colonização do Norte do Estado e Nascimento de Itambé - podem ser conferidas na internet e são muito utilizadas em salas de aula (parte 1 - parte 2 - parte 3).

ARTE - O sucesso ultrapassou fronteiras. Recentemente esteve em Prudentópolis para filmar as nascentes do Rio Ivaí, que é também uma das riquezas que margeiam Itambé. “Vou produzir um documentário sobre isso”, anuncia. Ao mesmo tempo, aceitou convite da Associação Pró-Memória de Londrina para produzir um filme sobre a história da cidade.

Denízia é eclética quando se trata de arte. Faz desenho, pintura, fotografia, cinema e, na escola, trabalha com grupo de teatro. “Já estou com planos de também trabalhar o cinema com os alunos”, diz. Além, é claro, de redigir contos e crônicas que antes povoavam as redes sociais e agora estão alojados em seu blog deniziamoresqui.blogspot.com.br/. “São relatos de memórias”, avisa.

Ela ama o local em que nasceu e plantou alicerces, tema constante em suas manifestações artísticas. “Achar bonito o lugar em que se vive eleva a autoestima”, ensina. Para Denízia, o apoio que recebe do marido e do filho de 7 anos são essenciais para desenvolver todas as atividades com sucesso. E ainda sobra um tempinho para voltar a empunhar o violino, que estudou e praticou por cerca de 10 anos, mas que estava um pouco encostado desde que o filho nasceu.

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